domingo, 28 de maio de 2017

O OLHAR DOS PRESBITERIANOS FRENTE À HOMOSSEXUALIDADE


Antes de tudo...

É preciso entender que “Presbiteriano” não é o nome de uma igreja e, sim, o nome de um regime de governo, onde alguns governam todos. Portanto, toda igreja que é governada por presbíteros pode ser chamada de presbiteriana;

É preciso entender também que a “Igreja Presbiteriana” não tem um governo mundial, como a igreja católica, por exemplo. Portanto, não há nenhuma ligação governamental entre os presbiterianos existentes nos mais variados países e até mesmo há "presbiterianos" e "presbiterianos" numa mesma localidade, sem, contudo, terem nenhum tipo de relação eclesiástica, necessariamente.

É preciso entender que existem várias “Igrejas Presbiterianas”;  uma independente da outra. Por exemplo: Igreja Presbiteriana Conservadora, Igreja Presbiteriana Independente e muitas outras que têm se mantido fieis ao princípio de ter na bíblia sua única regra de fé e de prática. Outras, porém, tendo abraçado o liberalismo teológico, que relega as opiniões bíblicas a um plano quase que inexpressível, têm se desviado dos preceitos mais basilares da Reforma Protestante e da ortodoxia Cristã, a exemplo da Igreja Presbiteriana Unida e da PCUSA, ambas com um olhar inclusivo em relação à homossexualidade, permitindo até mesmo a ordenação de homossexuais ao ofício de ministros.

É preciso entender, por fim, que o olhar que apresentaremos é o olhar da IPB – IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL frente à difícil questão da homossexualidade.

Esse OLHAR DOS “PRESBITERIANOS DO BRASIL” será dividido da seguinte forma:

a) Do ponto de vista da definição da homossexualidade;
b) Do ponto de vista bíblico;
c) Do ponto de vista confessional;
d) Do ponto de vista de seus documentos mais recentes.

Passemos a analisar, portanto, cada um desses pontos de vista:

a)  Do ponto de vista da definição da homossexualidade:

TEORIAS sobre as possíveis causas da homossexualidade:

a1) DETERMINISMO BIOLÓGICO: afirma que os homossexuais simplesmente nasceram assim e que isso não pode ser mudado. O principal ícone dessa teoria é Alfred Kinsey. Outro pesquisador, Simon Levay, importante defensor dessa teoria, chega a afirmar que a causa da homossexualidade é uma  alteração nos neurônios. O grande problema dessa teoria é que Faltam evidências empíricas comprobatórias;

a2) DISTÚRBIO MENTAL: afirma que a homossexualidade é causada por distúrbios mentais. Em 1973 a Associação Psiquiátrica Americana retirou a homossexualidade da relação de doenças mentais;

a3) FATORES PSICOSSOCIAIS: A maneira como a criança é criada vai determinar sua sexualidade. A teoria Queer parece seguir esse modelo teórico, levando-o ao extremo, afirmando que a orientação sexual e a identidade sexual ou de gênero dos indivíduos são o resultado de um “constructo social”. Muitos desavisados e outros tantos por pura má-fé, têm ensinado os conceitos da teoria Queer como uma verdade absoluta, como se fora algo naturalmente dado e inquestionável. Mas ela é apenas uma teoria, carente, inclusive, de provas factuais e inequívocas.

Um fato digno de nota é que a maioria esmagadora das teorias anula o aspecto volitivo do indivíduo homossexual.

a4) Diante da falta de evidências inequívocas, as igrejas cristãs tradicionais, entre as quais a IPB, entendem que é mais correto pensar na homossexualidade como uma PREFERÊNCIA ADQUIRIDA. É evidente que as influências psicossociais têm seu grau de comprometimento na apresentação, influência e encantamento do indivíduo quanto à homossexualidade. Contudo, o fator preponderante para causar a homossexualidade não é outro senão a decisão individual de adotar tal comportamento.

b)  Do ponto de vista bíblico:

A IPB é uma igreja Reformada que tem a bíblia como sua ÚNICA regra de fé e de prática. Portanto, seu olhar sobre a homossexualidade, antes de qualquer coisa, é o olhar da bíblia sobre a homossexualidade, à luz da interpretação da Teologia Reformada e da ortodoxia cristã.

Portanto, nesse sentido, a IPB entende que a prática homossexual, juntamente com outras práticas sexuais, como o adultério, a fornicação, prostituição e a bestialidade (necrofilia, zoofilia, etc), são práticas pecaminosas; pecado.

Por que pecado? Porque são práticas CONTRÁRIAS ao que Deus determinou como práticas naturais e adequadas, em sua palavra. Pecado é tudo que vá de encontro aos preceitos, ordenanças e mandamentos de Deus.

Nesse sentido, alguns ativistas homossexuais têm perguntado: O que fazer com o desejo homossexual?

A IPB, à luz das escrituras, entende que a tentação, em si, não constituí pecado. Só há pecado quando o indivíduo cede à essa tentação. Logo, a resposta é a mesma que seria dada para um  homem casado que se sente tentado por outra mulher ou para um jovem que quer transar com sua namorada antes do casamento: A bíblia ensina que todas essas práticas são pecaminosas e praticá-las se constitui desobediência à Deus, que claramente proibiu tais práticas em sua palavra. Portanto, todos devem lutar para não cair nesses pecados.

Vejamos alguns textos bíblicos que tratam da questão da homossexualidade:

ALGUNS TEXTOS DO VELHO TESTAMENTO:

 GN 1:26-27: Deus, portanto, criou os seres humanos à sua imagem, à imagem de Deus os criou: macho e fêmea os criou. Deus os abençoou e lhes ordenou: “Sede férteis e multiplicai-vos! Povoai e sujeitai toda a terra; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todo animal que rasteja sobre a terra;

Lv 18:22 Não te deitarás com varão, como se fosse mulher; é abominação. 

Dt 23:18 não trarás o salário da prostituta nem o aluguel do sodomita para a casa do Senhor teu Deus por qualquer voto, porque uma e outra coisa são igualmente abomináveis ao Senhor teu Deus.

1Re 15:12 Porque tirou da terra os sodomitas, e removeu todos os ídolos que seus pais tinham feito.

ALGUNS TEXTOS DO NOVO TESTAMENTO:

Mateus 19:4-6 Não tendes lido que, no princípio, o Criador os fez macho e fêmea e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem;

1Co 6:9 Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas; 

1Tm 1:10 para os devassos, os sodomitas, os roubadores de homens, os mentirosos, os perjuros, e para tudo que for contrário à sã doutrina;

Rm 1:26-27 Pelo que Deus os entregou a paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural no que é contrário à natureza; semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para como os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu erro;

C)  Do ponto de vista confessional

A IPB, por ser uma igreja confessional, tem registrado, de forma clara, tudo aquilo que confessa crer, através da Confissão de Fé de Westminster e dos Catecismos Maior e Breve de Westminster. Vejamos:

CATECISMO MAIOR:

24. Que é pecado? Pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus, ou a transgressão de qualquer lei por Ele dada como regra, à criatura raciona. Rom. 3:23; 1 João 3:4; Gal. 3:10-12.

138. Quais são os deveres exigidos no sétimo mandamento? 

Os deveres exigidos no sétimo mandamento são: castidade no corpo, mente, afeições, palavras e comportamento; e a preservação dela em nós mesmos e nos outros; a vigilância sobre os olhos e todos os sentidos; a temperança, a conservação da sociedade de pessoas castas, a modéstia no vestuário, o casamento daqueles que não têm o dom da continência, o amor conjugal e a coabitação; o trabalho diligente em nossas vocações; o evitar todas as ocasiões de impurezas e resistir às suas tentações.Jr 5:7; Pv 2:16,20;5:8,18,19;23:31,33;31:27; Mt 5:28;  I Ts 4:4,5; Ef 4:29; Cl 4:6; I Pe 3:2,7; I Co 5:9;7:2,5,9; I Tm 2:9;5:13,14; Tt 2:4,5;

139. Quais são os pecados proibidos no sétimo mandamento?
 
Os pecados proibidos no sétimo mandamento, além da negligência dos deveres exigidos, são: adultério, fornicação, rapto, incesto, sodomia e todas as concupiscências desnaturais; todas as imaginações, pensamentos, propósitos e afetos impuros; todas as comunicações corruptas ou torpes, ou o ouvir as mesmas os olhares lascivos, o comportamento impudente ou leviano; o vestuário imoderado; a proibição de casamentos lícitos e a permissão de casamentos ilícitos [.. ] e todas as demais provocações à impureza, ou atos de impureza, quer em nós mesmos, quer nos outros.Lv 18:1-21;19:29;20:15,16; Jr 5:7; Pv 4:23,27;5:7,8; II Sm 13:14; II Rs 23:7; Ml 2:16; Ez 16:49; Gl 5:19; Ef 5:5,11; Mt 5:32;19:5,10-12;Mc 6:18,22; I Co 5:1,13;7:2,12,13; Rm 1:26,27;13:13,14;I Tm 4:3;5:14,15; I Pe 4:3; II Pe 2:17,18; Hb 13:4.

CONFISSÃO DE FÉ, CAPÍTULO XXIV - DO MATRIMÔNIO E DO DIVÓRCIO

I. O casamento deve ser entre um homem e uma mulher; ao homem não é licito ter mais de urna mulher nem à mulher mais de um marido, ao mesmo tempo.Gen. 2:24; Mat. 19:4-6; Rom. 7:3. II. O matrimônio foi ordenado para o mútuo auxílio de marido e mulher, para a propagação da raça humana por uma sucessão legítima e da Igreja por uma semente santa, e para impedir a impureza. Gen. 2:18, e 9:1; Mal.2:15; I Cor. 7:2,9.


C)  Do ponto de vista de seus documentos mais recentes

Manifesto Presbiteriano sobre a PL-122:


II – Quanto à chamada LEI DA HOMOFOBIA, que parte do princípio que toda manifestação contrária ao homossexualidade é homofóbica, e caracteriza como crime essas manifestações, a Igreja Presbiteriana do Brasil repudia a caracterização da expressão do ensino bíblico sobre o homossexualidade como sendo homofobia, ao mesmo tempo em que repudia qualquer forma de violência contra o ser humano criado à imagem de Deus, o que inclui homossexuais e quaisquer outros cidadãos. Visto que: (1) a promulgação da nossa Carta Magna em 1988 já previa direitos e garantias individuais para todos os cidadãos brasileiros; (2) as medidas legais que surgiram visando beneficiar homossexuais, como o reconhecimento da sua união estável, a adoção por homossexuais, o direito patrimonial e a previsão de benefícios por parte do INSS foram tomadas buscando resolver casos concretos sem, contudo, observar o interesse público, o bem comum e a legislação pátria vigente; (3) a liberdade religiosa assegura a todo cidadão brasileiro a exposição de sua fé sem a interferência do Estado, sendo a este vedada a interferência nas formas de culto, na subvenção de quaisquer cultos e ainda na própria opção pela inexistência de fé e culto; (4) a liberdade de expressão, como direito individual e coletivo, corrobora com a mãe das liberdades, a liberdade de consciência, mantendo o Estado eqüidistante das manifestações cúlticas em todas as culturas e expressões religiosas do nosso País; (5) as Escrituras Sagradas, sobre as quais a Igreja Presbiteriana do Brasil firma suas crenças e práticas, ensinam que Deus criou a humanidade com uma diferenciação sexual (homem e mulher) e com propósitos heterossexuais específicos que envolvem o casamento, a unidade sexual e a procriação; e que Jesus Cristo ratificou esse entendimento ao dizer, “. . . desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher” (Marcos 10.6); e que os apóstolos de Cristo entendiam quea prática homossexual era pecaminosa e contrária aos planos originais de Deus (Romanos 1.24-27; 1Coríntios 6:9-11). Ante ao exposto, por sua doutrina, regra de fé e prática, a Igreja Presbiteriana do Brasil MANIFESTA-SE contra a aprovação da chamada lei da homofobia, por entender que ensinar e pregar contra a prática do homossexualidade não é homofobia, por entender que uma lei dessa natureza maximiza direitos a um determinado grupo de cidadãos, ao mesmo tempo em que minimiza, atrofia e falece direitos e princípios já determinados principalmente pela Carta Magna e pela Declaração Universal de Direitos Humanos; e por entender que tal lei interfere diretamente na liberdade e na missão das igrejas de todas orientações de falarem, pregarem e ensinarem sobre a conduta e o comportamento ético de todos, inclusive dos homossexuais. Portanto, a Igreja Presbiteriana do Brasil não pode abrir mão do seu legítimo direito de expressar-se, em público e em privado, sobre todo e qualquer comportamento humano, no cumprimento de sua missão de anunciar o Evangelho, conclamando a todos ao arrependimento e à fé em Jesus Cristo.Patrocínio, Minas Gerais, abril de 2007 AD.Rev. Roberto Brasileiro Presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil.

Nota: Palestra proferida no Fórum Interreligioso Petrôno Portela, em Jaboatão dos Guararapes: 

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