quarta-feira, 10 de julho de 2013

O CALVINISMO E A ÉTICA



       
“Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” (I Cor 10:31).


         1- DEFININDO TERMOS:

Muitos não sabem, mas a ÉTICA é um objeto de estudo específico da FILOSOFIA. Não é da psicologia, não é da antropologia, não é da Sociologia, nem de qualquer outra área do saber. Esse é um tema indispensável dentro do estudo de qualquer cosmovisão.

Existe muita confusão acerca do que vem a ser Ética. Até mesmo os dicionários acabam por confundir Ética com Moral e Moral com Ética. De forma que não é raro você estar lendo um verbete sobre Ética, mas seu conteúdo trata sobre moral. Isso acontece exatamente por conta do distanciamento que temos com a Filosofia. Isso só não ocorre em dicionários técnicos de Filosofia ou ainda algum de renome e tradição mundial.

Mas, em síntese: o que Ética e o que é Moral?

A palavra ÉTICA vem do grego ÉTHOS. E a palavra MORAL? Também vem do grego ÊTHOS. É a mesma palavra, mesma grafia, porém com pronúncia e significados diferentes. Ou seja, ÉTICA não é a mesma coisa de MORAL, nem vice-versa, como muitos pensam. Não são palavras sinônimas.

Pronunciada com um som de “Ê” fechado e curto (ÊTHOS), pode ser traduzida por costume, norma, hábito. Serviu de base para a tradução latina de “morales”, de onde vem nossa palavra Moral.

Pronunciada com um som de “É” aberto e mais longo (ÉTHOS), significa em sua origem mais remota, essência de um ser (aquilo que, de fato, é essencial ao ser), habitat, local onde o indivíduo se sente protegido. Metaforicamente indica que a Ética irá trabalhar para proteger a vida do ser humano.

A Moral, referindo-se aos costumes dos povos, conjunto de hábitos, de regras, normas, leis que regulam a conduta de um povo, nas diversas épocas, é mais abrangente e divergente e variante de cultura para cultura.

O livro “Costumes e Culturas” traz alguns exemplos interessantes de moral:  Na África do Sul as mulheres se cumprimentam beijando-se na boca. Na Rússia são os homens. Na Tailândia os amigos andam de mãos dadas. Note: nenhum desses preceitos possui status de universalidade. 

A Ética diz respeito a preceitos invariantes. Isto é, que não variam nem de cultura para cultura nem de tempo para tempo. Por exemplo: as necessidades elementares dos seres humanos. A necessidade de alimentação, de sobrevivência. Portanto, a Ética só diz respeito às necessidades elementares dos homens. Ela não se ocupa com questões periféricas e circunstanciais.

A Moral é normativa.  Ética e Moral distinguem-se, essencialmente, pela especulação da Lei. É moral cumprir a “lei”. É ético questioná-la e não cumprir se seu fundamento não for justo. A Ética é especulativa, característica herdada da Filosofia.

Geralmente as pessoas classificam como alguém Ético aquele que cumpre as leis, que segue as normas estabelecidas em sua sociedade. Mas, em algumas situações, para ser Ético o indivíduo precisa quebrar as normas, descumprir a lei.

Por exemplo, o índio que vive numa aldeia cuja a convenção coletiva define como norma o infanticídio de gêmeos. Se ele resolve ser Moral (cumprir as normas e leis estabelecidas em sua comunidade) ele estará optando por matar seus próprios filhos. Se, do contrário ele resolve não matar as crianças, estará, necessariamente, em uma espécie de desobediência civil. Suponhamos que opte por não matar seus filhos gêmeos.

O índio, foi Ético ou Moral? Mais: É possível ser Ético e I-Moral ao mesmo tempo? Ele foi. Foi I-moral porque quebrou as Leis de sua sociedade. Foi Ético porque priorizou o que há de mais essencial no ser humano: a vida.


2- A ÉTICA CALVINISTA NA VISÃO DE UM ATEU: ANÁLISE DA OBRA “ÉTICA PROTESTANTE E O ESPÍRITO DO CAPITALISMO”, DE MAX WEBER.

Depois dessa parte mais conceitual, vamos entrar na questão da chamada “Ética Calvinista”, propriamente dita. Essa particularização da Ética, que é por natureza universal, não segue o rigor terminológico exigido pela filosofia. Evidentemente que não existem vários tipos de Ética. Ela é única e universal. Não existe uma Ética especifica dos Calvinista, nem dos médicos, nem dos advogados. Porém iremos continuar adotando essa terminologia para não contrapor a obra que trabalharemos e que citaremos mais adiante.

Para isso, iremos nos basear, quase que exclusivamente, nas pesquisas e nas observações de um ateu. Sim, de um ateu.

É claro que tem muito Calvinista que escreve e fala sobre a chamada “Ética Calvinista”. E, claro, também, sempre “puxando a brasa para a sardinha” dos Calvinistas.

Escolhi fazer essa abordagem a partir de um ateu por conta de sua análise desapaixonada e isenta.

O nome dele é Max Weber, um sociólogo ateu que intuiu que os problemas e os acertos econômicos poderiam  ter uma causa completamente diferente daquelas apontadas por Karl Marx, que  acreditava que o povo de um país vivia bem ou vivia mal dependendo da relação de fatores puramente econômico, como a relação Patrão X Empregado.

Expressões do tipo “o povo sobre porque os burgueses só sabem explorar”, “somos pobres porque as elites dominantes não nos deixam crescer economicamente” dão o tom do pensamento de Karl Marx.

Interessante que nessa onda de protestos que tivemos recentemente essas expressões eram constantemente repetidas, inclusive por crentes. Crentes que são “comunistas” sem saber. Ou que, pelo menos, são simpatizantes dessa causa.

Marx Weber, então, começa a desconfiar que a causa da pobreza e da falta de desenvolvimento intelectual, social e até econômico de muitos países  poderia ter outros fatores. É certo que alguns pensadores tiveram essa desconfiança, antes de Weber, mas nenhum deles conseguiu avançar nesse sentido.

Weber queria entender o que faz uma nação ser próspera e desenvolvida e outro subdesenvolvida e seu povo intelectualmente desprovido e limitado.

Pra saber isso só tinha um jeito: era preciso fazer uma análise comparativa entre as nações;

E foi o que ele fez. Tendo como pano de fundo a Europa Moderna, Weber avaliou e investigou diversos países, diversas nações para tentar trazer luz a essa problemática, utilizando, para isso, os métodos comparativos das ciências sociais. Ele chega, então, a uma descoberta surpreendente, jamais percebida antes.

Depois de uma vasta pesquisa, Weber começa a cruzar os dados colhidos de vários países. Ele constatou que nos países bem sucedidos, em todos os aspectos, havia uma característica muito interessante, que ele não conseguiu identificar nos países decadentes. Vejamos suas premissas:

a)    Homens de negócios e grandes capitalistas[1];
b) Operários qualificados de alto nível e pessoal especializado (tecnologicamente e comercialmente);
c) Premissas 1 e 2 têm em comum o fato de conter majoritariamente protestantes de linha Calvinista.

Diz Weber:

“Um simples olhar às estatísticas ocupacionais de qualquer país de composição mista mostrará, com notável freqüência, uma situação que muitas vezes provocou discussões na imprensa e literatura católicas.O fato de que os homens de negócios e donos do capital, assim como os trabalhadores mais especializados e o pessoal mais habilitado técnica e comercialmente das modernas empresas é predominantemente protestante’ (WEBER, 2002. p.37).

Essa constatação intrigou bastante Max Weber. Então ele passou a investigar o que havia de diferente nesses protestantes que produzia uma “ética” diferenciada; esse estilo de vida peculiar a ponto de mudar a realidade de um país.

E mais uma vez sua constatação foi surpreendente:

De forma bastante clara, Weber atribui ao Calvinismo a produção dessa ética particular, principalmente aos efeitos psicológicos causados pela doutrina da eleição ou da predestinação.

A antropologia bíblica enxergada por Calvino e tantos outros expoentes, como Agostinho de Hipona, que tira do homem o tão requerido e postulado “livre arbítrio”, é peça fundamental no entendimento da doutrina da predestinação ou eleição.

Segundo Calvino, o homem, em seu estado natural, está morto (Efésios 2:1), restando-lhe apenas a certeza do inferno eterno.

Para um homem nesse estado de morte espiritual e de “nulidade” total e absoluta, um verdadeiro agente passivo da condição espiritual pós-pecado, quando há a perda do livre-arbítrio - pois que vontade (espiritual) pode ter um morto?  - só existe uma possibilidade de salvação: o favor não merecido de Deus para salvá-lo, a graça de Deus.

A crença nessa sistematização doutrinária calvinista leva o “eleito” a um imenso sentimento de gratidão a Deus, uma vez que, mesmo sem merecer, recebe esta graça extraordinária.

Como consequência e em gratidão, passa a viver e a dedicar todos os seus momentos, inclusive atividades seculares, para a “glória de Deus”.

Isso simplesmente acaba com o binômio Sagrado X Profano. Para o Calvinista tudo passa a ser sagrado; tudo deve ser servir para a glória de Deus

Veja o que Weber diz:

“Dessa forma, coube aos puritanos, que se consideravam eleitos, viver a santificação da vida cotidiana. Pois o caráter sectário – a consciência de ser minoria e a motivação de ser eleito de Deus – fazia de cada membro dessas comunidades não mero adepto do rebanho mas, mas um vocacionado que se dedicava simultaneamente ao aprimoramento ético, intelectual e profissional” (WEBER, 2002. p.21).

O importante Catecismo calvinista, Catecismo Maior de Westminster, dá o tom dos objetivos dessa nova vida outorgada pela graça, já na pergunta inicial:

“Qual é o Fim supremo e principal do homem? O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus” (CATECISMO MAIOR, 2007. p.31).

Esse novo modelo de vida, essa “ética” calvinista, segundo Weber, é a causa evidente do desenvolvimento dos países por ele pesquisado.

Diz Weber:

O Deus de Calvino exigia de seus crentes não boas ações isoladas, mas uma vida de boas ações combinadas em um sistema unificado (WEBER, 2002. p.91).

Isso é seguir a orientação Apostólica de Paulo, os Calvinistas procuram “fazer todas as coisas como se estivessem fazendo para Deus” (Col 3:23).

3- O PENTECOSTALISMO E A ÉTICA DA VANTAGEM

Seguindo o modelo de investigação de Weber, iremos tentar entender um fenômeno recorrente que pode ser observado desde meados do século passado e que tem crescido mais ainda ultimamente:

O envolvimento de crentes em escândalos de ordem moral e em  casos de corrupção.

Só pra lembrar alguns: O caso de Sônia e Estevam Hernandes. A máfia dos sanguessugas, protagonizada por grande parte da bancada evangélica. O caso da oração de gratidão pela propina recebida de Leonardo Prudente e Rubens Brunelli.

Quem são esses crentes e o que os levou a trilhar por esse caminho?

Todos esses casos e tantos outros que não temos espaço para dizê-los aqui, têm algo em comum: a presença “predominante”, para usar uma expressão weberiana, de Pentecostais envolvidos.

Isso é fato. É estatística. Você não vai encontrar, de forma “predominante”, crentes que têm uma proximidade maior com os preceitos da Reforma Protestante, envolvidos nesse tipo de coisa.

Então, o que tem os Pentecostais que os fazem propícios a esse tipo de atitude peculiar?

Será que o arcabouço doutrinário, à semelhança do que identificou Weber, tem alguma ligação com esse estilo de vida? Penso que sim.

A ideia de um contato, de uma comunicação direta com Deus, via “novas revelações”, produz, no Pentecostal, o efeito contrário que a doutrina da eleição Depravação Total produz no Calvinista. Faz dele uma espécie de “super-crente”, alguém que tem “poder”, alguém que tem um relacionamento diferenciado com Deus, o que o acaba tornando, inconscientemente, um “crente soberbo”.

Enquanto a Eleição Incondicional, consequência direta da doutrina da Depravação Total do Homem, humilha o homem e o deixa consciente de sua inutilidade, comprovando que tudo que possui advém do favor divino, a doutrina pentecostal da 2ª bênção, aliada a um quase "semi-Pelagianismo”, ao contrário, exalta o homem deixando-o prepotente e orgulhoso de si.

O resultado disso tudo não poderia ser outro: o Pentecostal entende que o mundo deve girar ao seu redor. Todas as coisas devem orbitar em sua volta. Pentecostal tem “o rei na barriga”. Mais que isso: Pentecostal se acha o próprio rei. E, por isso mesmo, ele não consegue enxergar o outro, respeitar o direito do outro, mas apenas seu alvo, que é conquistar o melhor, que é ter o melhor, aquilo que lhe é, supostamente, de “direito”. Afinal, rei é rei!

Kenneth Hagin, muito embora não seja um legítimo representante do Pentecostalismo da primeira onda, apesar de ter tido dela toda a influência doutrinária, traduz de forma explícita e irrefutante o sentimento que paira no coração do Pentecostal que não teve nenhuma contato com a doutrina humilhante da Depravação Total do homem:

“Você não tem um deus no seu interior, você é um Deus. Uma réplica perfeita de Deus! Diga isso em alto e bom som, “eu sou uma réplica perfeita de Deus”! (A congregação repete um tanto insegura e sem jeito)...vamos digam isto! (Ele conduz a congregação em uníssono). Digam de novo! “Eu sou uma réplica de Deus!”- A congregação começa a se animar e o entusiasmo e o barulho aumentam cada vez que eles repetem a frase” (NODA, 1997. p.23).

Por isso Pentecostal não respeita filas. Por isso Pentecostal acha que pode comprar e contratar serviços e não pagar. Por isso Pentecostal é péssimo empregado. Por isso Pentecostal é péssimo Patrão. Por isso Pentecostal é Péssimo vizinho. Por isso Pentecostal é péssimo marido. Por isso Pentecostal é péssima esposa. Por isso é cada vez maior o número de pessoas que repetem a já famosa frase “não faço negócio com crente”. Por isso  Pentecostal não assiste socialmente os membros de sua igreja, levando muitos a terem que esmolar na porta da igreja dos outros.

Mas é verdade também que nem sempre os Pentecostais conseguem o que querem, mesmo usando todos os meios espúrios que usam. Pensam que eles se dão por vencidos? Na “Ética da vantagem Pentecostal” não tem espaço para derrotas. Eles continuam tentando. São incansáveis. Por isso os hospícios e sanatórios estão lotados de Pentecostais. Acha que estou exagerando de novo? Então visite um.


Nota de Esclarecimento: Esse artigo, bem como os outros da série Pentecostalismo e Reforma Protestante não está se referindo a indivíduos Pentecostais. É evidente que existem muitos Pentecostais, mas não a maioria, que são pessoas de bem e que têm um testemunho digno. Pessoalmente conheço alguns. Infelizmente não muitos. Da mesma forma não estamos querendo advogar que todo Calvinista tem uma postura ética e moral ilibada. Evidentemente que existem alguns Calvinistas que são uma vergonha. Contudo, estamos tratando de uma visão macro dessas relações religiosas. De forma que, de uma maneira geral e abrangente, por tudo que foi argumentado aqui, podemos afirmar: o Calvinismo produz no seu crente uma postura ética e moral invejável e digna do registro até de ateus, como  é o caso de Max Weber, enquanto que o Pentecostalismo produz no seu crente o que chamamos aqui de “Ética da vantagem”.

Observação: Esse terceiro tópico é um fragmento de outro post publicado neste blog, sob o título “Pentecostalismo e Reforma Protestante: Pressuposto Ético”. Para acessar o artigo completo é só clicar no link abaixo:


[1] De capitalismo não devemos entender, aqui, como a busca desregrada pelo Lucro, como diz o próprio Weber :  “O impulso pelo ganho, a perseguição do lucro, do dinheiro, da maior quantidade possível de dinheiro, não tem, em si mesmo, nada que ver com o capitalismo. Tal impulso existe e sempre existiram entre garçons, médicos, cocheiros, artistas, prostitutas [...]. Pode-se dizer que tem sido comum a toda sorte de condições humanas em todos os tempos e em todos os países da terra [...]. A ganância ilimitada de ganho não se identifica nem de longe com o capitalismo, e menos ainda com o seu “espírito”(WEBER, 2002. p.26). Ao que concorda Biéler: “Não se trata mais, de modo algum, da paixão pelo ganho que caracterizava outrora alguns comerciantes à vida de riquezas” (BIÉLER, 1999. p.624). E ainda: Calvino, sabe-se, é o primeiro dos teólogos cristãos a exonerar o empréstimo a juros do opróbrio moral e teológico que a igreja havia feito sobre ele, até então; não é justo, entretanto, atribuir-lhe a justificação integral do capitalismo liberal (BIÉLER, 1999. p.20)


6 comentários:

  1. Filósofo (qual seu nome? Nos conhecemos a tanto tempo e não o sei, desculpe), congratulo-o pelo artigo.

    Irei-o publicar, igualmente.

    Cristo seja contigo.

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  2. Prezado Filósofo Calvinista, considerando que a Ética Calvinista aqui mencionada foi na visão de um ateu, qual seria a visão macro religiosa dele, se ele se converter a Jesus como seu Salvador pessoal? Ou você acha que Deus por soberania o deixará em seu estado natural, está morto?

    Você afirmou: “É moral cumprir a “lei”. É ético questioná-la e não cumprir se seu fundamento não for justo”. Mas quem decidi que o fundamento da lei é justa ou não justa para não cumprir? É o Calvinismo? É um ateu que: “ atribui ao Calvinismo a produção dessa ética particular, principalmente aos efeitos psicológicos causados pela doutrina da eleição ou da predestinação”.

    Você acha ético o calvinismo questionar a lei de Deus, considerar um de Seus Mandamentos injusto e não cumprir e ensinar a não cumpri-la? Qual seria a visão de MAX WEBER se ele pelo poder do Espírito Santo se tornasse cristão? Será que continuaria com o mesmo pensamento ou pensaria como John Wesley que deixou escrito:
    “Entre os mais acérrimos inimigos do evangelho de Cristo, estão os que, aberta e explicitamente, ‘julgam a lei’ e ‘falam mal da lei’; aqueles que ensinam os homens a quebrar… não apenas um dos menores ou dos maiores mandamentos, mas todos os mandamentos de uma só vez; que ensinam, sem nenhum disfarce, em palavras como estas: ‘Que fez nosso Senhor com a lei? Ele a aboliu. Há apenas uma obrigação: a de crer…’ Isto é, na verdade, demolir enunciados com muita violência; é resistir nosso Senhor na cara e dizer-Lhe que Ele não soube dar a mensagem para a qual fora enviado. (…)
    “A mais surpreendente de todas as circunstancias, que acompanha este grande engano é que, aqueles que a ele se entregam, crêem realmente que honram a Cristo, ao Lhe destruírem a lei, e que estão magnificando o Seu serviço, ao passo que Lhe estão destruindo a doutrina! Na verdade, estes honram a Cristo exatamente como o fez Judas, quando disse: ‘Eu Te saúdo, Mestre, e O beijou.’ (…) Não é outra coisa senão traí-Lo com um beijo, falar de Seu sangue e arrancar-Lhe a coroa; considerar levianamente qualquer parte de Sua lei, sob o pretexto de fazer avançar o evangelho.” — Em “Upon Our Lord’s Sermon on the Mount”, dis. 5, “Sermons on Several Occasions” (1810), sermão nº 35, p. 81–82. Também em “Works of Wesley” (edição de 1829), vol. 5, p. 311.

    Ou pensaria conforme Calvino que declarou:
    -“A Lei de Deus é uma Lei divina, santa, celestial, perfeita… Não há um Mandamento a mais; não há nem um a menos; mas ela é tão incomparável que sua perfeição é uma prova de sua divindade. Nenhum legislador humano poderia ter trazido à existência uma lei semelhante à que encontramos no Decálogo”. Sermão 18 Vol. II, pg. 280.
    Autor: João Calvino em seu Comentary on a Hermony of Gospel Vol. I pg. 277 sobre Mat.5:17 e Lucas 16:17:
    E, em seus Institutes, ii. 7 seção 15 Calvino escreveu: “A Lei não sofreu nenhuma diminuição de sua autoridade, mas deve receber de nossa parte sempre o mesmo respeito e obediência”.

    É verdade que “Segundo Calvino, o homem, em seu estado natural, está morto (Efésios 2:1), restando-lhe apenas a certeza do inferno eterno”. Contudo, alegar que Deus elegeu apenas alguns para tirá-los de seu estado natural de morto e dá-lhes a vida eterna e ignorar outros para a morte eterna, nada mais é de que está afirmando que Jesus mentiu quando declarou que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu Filho Unigênito, PARA TODO O QUE NELE CRER NÃO PEREÇA, MAS TENHA A VIDA ETERNA”, bem, como mentiu quando declarou que: “ Assim importa que o Filho do homem seja levantado PARA QUE TODO O QUE NELE CRÊ TENHA A VIDA ETERNA”. Há de ressaltado que segundo a Palavra de Deus de onde foi extraído o texto acima(João 3:15,15), o homem em seu estado natural pode crer. Lembra-se que Abraão foi justificado por que creu no Senhor (e não porque fez -Gen. 15:6) quando ainda era Abrão e não circuncidado. Lembra-se que diversos cristãos já foram ateus como MAX WEBER. Ou você acha os ex ateus são cristãos hoje porque estavam predestinados?
    Osmar Ferreira- nadanospodemoscontraverdade@bol.com.br

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  3. Filipe:

    Bom revê-lo por aqui. Fabio Correia

    nadanospodemoscontraverdade:

    Seu comentário e quase maior que meu texto..rs. Prezado, o aspecto conceitual contemplou a área filosófica do saber. Claro que a Lei moral de Deus não deve ser questionada, pq ela é perfeita. Porém, há situações em que a ética vai exigir uma reflexão critica acerca de como cumprir a lei. Por exemplo: o 6° mandamento proíbe: "Não matarás". Suponhamos, de Deus te livre, que vc esteja numa situação de risco eminente de morte sob a mira de um revolver. O meliante dá um descuido e vc toma a arma; ele pega outra arma e vai atirar em vc. O que vc faz? A lei te diz: "não matarás". Vai dar o peito para o bandido atirar ou vai matá-lo? Ai entra a ética, que perguntará: qual o objetivo do 6º mandamento? Preservar a vida. Nesse sentido, se vc matar o meliante não está quebrando um preceito ético, pois é vida por vida. Jesus não mentiu em João 3:16, meu caro. Apenas vc precisa entender o seguinte: quais serão aqueles que crerão nele? Apenas os eleitos.

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    1. Não tinha dúvida quanto a relação da lei Moral com o "meliante", Contudo, mesmo nessa condição há quebra de preceito quer ética quer Moral (Deus nunca justifica o pecado e sim o pecador) tanto é verdade que há julgamento e perdão segundo o modelo bíblico (Num. 35:1,15,25-Josué 20:1,6) e no modelo brasileiro o crime culposo/legitima defesa, há julgamento e perdão do ato ou não culpabilidade penal. Quanto a :"quais serão aqueles que crerão nele? Apenas os eleitos", tal afirmativa trás no bojo a enganosa declaração de que Deus só salvou no dilúvio 8 pessoas por eleição, deixando milhares morrerem também por eleição divina tornando uma farsa a declaração de Pedro de que Noé era pregador da Justiça (II Pedro 2:5), já que não há justiça alguma em pregar ou mandar pregar para quem foi predestinado para a morte eterna. Na verdade há injustiça, pregar ou mandar pregar para quem já está predestinado para a morte eterna. Há de ressaltado que segundo a eleição dupla(uns para vida e outros para a morte), todo o ministério de Cristo, nascimento, batismo (já que Ele não tinha pecado), ensino, morte e ressurreição foi uma farsa, já que bastava as pessoas eleitas se tornarem integrantes do povo eleito de Deus. Você não acha que pregar o Evangelho da Salvação para quem está condenado a perdição, um engano? Uma injustiça? Você estria sendo justo em ensinar à um aluno uma matéria que você sabe que ele foi predestinado a não vai passar? Você não acha que aqueles que crêem na predestinação dupla estão mentindo que pregam o evangelho a quem está predestinado a perdição? Como falar do amor de Deus a quem está predestinado pelo próprio Deus a perdição? Onde está a Moral e a ética?
      Osmar Ferreira-nadanospodemoscontraverdade@@bol.com.br

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  4. Veja que interessante:
    “...- Como é que você vai dizer para um não-eleito que Deus o ama, que Cristo morreu por ele? Ao fazer isto você estará mentindo!" Disse eu a Madson. Ao que retrucou Davi Luna, outro jovem e talentoso pastor calvinista. - É o que eu faço! Falo do amor de Deus pra todo mundo!
    - Mas fazendo assim você está negando aquilo que crê, aquilo que prega. Disse um outro pastor batista.
    Explico a confusão. Os calvinistas crêem que Cristo morreu apenas pelos eleitos. Obviamente se Ele sacrificou-se na cruz apenas pelos eleitos, então Ele amou somente os eleitos. Conclusão lógica: Deus não ama toda a humanidade, ama somente os eleitos entre os humanos.
    Quando um cristão evangeliza alguém necessita falar do amor de Deus, da morte de Cristo em lugar do pecador por amor a ele. Então é natural que um cristão diga para um não convertido: "Deus te ama, Jesus morreu por você!"
    O problema para um calvinista é que, em fazendo isto, ele estará mentindo na maioria das vezes em que evangelizar. Já que o Senhor Jesus disse que a maioria das pessoas entra pela porta larga que conduz ao caminho largo da eterna perdição, conclue-se que naturalmente evangelizamos com maior frequência pessoas que irão para o inferno, não-eleitas. Se eu digo para um não eleito "Jesus te ama, ele se sacrificou na cruz por ti", sendo eu calvinista, estou mentindo, porque no postulado calvinista o Messias não amou nem morreu pelo não-eleito. Que grave contradição; para o calvinista cumprir a grande comissão ele precisa pecar, ou seja, mentir com assustadora frequência. Só não peca se não evangelizar. Um momento! Aí cometeria outro pecado, o da desobediência, o da omissão por não cumprir o mandamento do Senhor Jesus do ide, de pregar o evangelho a toda criatura.”
    Fonte: http://chamabereana.blogspot.com.br/2012/12/o-calvinismo-na-teoria-e-impossibilida.html
    Osmar Ferreira-nadanospodemoscontraverdade@bol.com.br

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  5. Prezado Osmar Ferreira:

    1º) Injustiça? Você nunca leu Romanos 9:14-18?

    2º) Quem foi que disse que para evangelizar o calvinista tem que mentir dizendo que Cristo fez algo que não fez? Claro que não. Nunca digo ao pecador que Cristo morreu por ele. Quando vc faz isso, meu caro, vc está querendo convencer o pecador por uma técnica psicológica. Você quer produzir nele uma espécie de remorso. Ao pregar, digo que o pecador esta terrivelmente perdido e que, sem Cristo, está caminhando a passos largos para o inferno. Mostro que sua condição é de morte espiritual e que não depende dele ficar vivo novamente, mas que só Deus pode realizar essa ressurreição espiritual e que ele não pode fazer absolutamente nada para contribuir nesse processo. Pronto. Está evangelizado. A conversão dele não é problema nem compromisso meu; antes, pelo contrário, e obra exclusiva da atuação ou não atuação soberana do Soberano Espírito Santo.

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